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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Segurança alimentar na terceira idade


Food Today
Apesar de não ser frequentemente levado em consideração, a suscetibilidade a doenças relacionadas com a alimentação aumenta com o avançar da idade, sendo que, a segurança alimentar é particularmente relevante na terceira idade.
Uma das razões para esta situação é o fato de muitas das funções do organismo tornam-se incapacitadas com a idade. Por exemplo, constituem situações comuns os problemas de visão, o que dificulta a leitura das instruções de preparação e da data de validade. 
Uma pessoa que não vê bem, não consegue perceber se um prato ou um utensílio está mal limpo ou se um alimento alterou a sua coloração.
O sentido do olfato torna-se também menos acentuado com a idade e pode agravar-se com a medicação ou devida a doenças. 
Muitas das alterações causada por agentes nocivos causam odores desagradáveis que nos advertem para as más condições do produto. Uma pessoa que tenha um olfato alterado não consegue perceber este aviso. 



Os dedos por vezes perdem força e destreza, o que pode dificultar as tarefas, como descascar os legumes, acondicionar os alimentos, o abrir ou fechar os recipientes. Por vezes os idosos não conseguem usar luvas para lavar a louça, o que as impede de utilizar temperaturas adequadas à boa limpeza dos utensílios.
Muitos idosos não conseguem deslocar-se sem assistência, têm dificuldade em curvar-se ou a manterem-se de pé durante muito tempo, motivo pelo qual, se torna impossível fazer a limpeza dos armários da cozinha, por exemplo. 
Alguns não podem sair para ir às compras e acabam por armazenar produtos, o que pode conduzir ao acumular alimentos já fora da validade.
Os problemas de memória também podem ocorrer, o que pode conduzir à preparação dos alimentos de forma incorreta (esquecer um passo importante, utilizar temperaturas desadequadas, ou tempos incorretos). 



Para além disso, os idosos são muito vulneráveis a doenças, e em especial a intoxicações alimentares. A idade debilita o sistema imunológico, como acontece com a quimioterapia, a cirurgia ou as doenças crônicas, como a diabetes ou problemas cardíacos. O que significa que os idosos se encontram mais propensos a terem problemas de saúde, para além do que levam mais tempo a recuperar.
Existe o problema da subnutrição na terceira idade, o que torna os idosos mais suscetíveis a infecções, incluindo as causadas por agentes patogênicos dos alimentos. 
A perda de apetite pode ter várias causas: a medicação, problemas digestivos, doenças crônicas, deficiências físicas ou depressões. 



Contudo, o problema é mais evidente nos idosos que vivem com rendimentos limitados, sendo que, quando a necessidade persiste, sentem a necessidade de cortar nos gastos, nomeadamente na alimentação.
A melhor compreensão dos fatores que conduzem a uma má alimentação nos idosos, deveria permitir o desenvolvimento de estratégias preventivas e de tratamentos apropriados, contribuindo para uma melhoria da qualidade de vida e saúde dos mais velhos.
Outra explicação para os idosos serem altamente suscetíveis a intoxicações alimentares, é o fato do ácido estomacal diminuir com a idade. Este ácido é responsável pela destruição de muitos patogênicos, antes da sua passagem para o intestino delgado. Quanto menor a acidez, maior a probabilidade de infecção por parte de agentes patogênicos de origem alimentar. Os processos digestivos encontram-se também debilitados com a idade, permitindo que alguns agentes nocivos tenham tempo para se desenvolver e produzir toxinas no intestino.



As limitações financeiras podem causar outros problemas relativos à segurança alimentar nos idosos. 
Existem pessoas que, simplesmente, não jogam comida fora, mesmo que esteja em más condições de higiene. Podem inclusivamente não ter dinheiro para substituir equipamentos danificados ou que não funcionem corretamente.
A manutenção de uma cozinha é uma tarefa tão quotidiana e rotineira que se torna fácil esquecer alguns dos riscos associados, especialmente quando estamos a nos tornar um bocadinho mais velhos a cada dia que passa.
No entanto, o problema mais evidente reside em que muitas pessoas idosas vivem com certas limitações e, quando a necessidade aperta, a comida/alimentação é um gasto mais fácil de cortar. 




Referências:
  1. Ferry, M. Facteurs et déterminants des comportements alimentaires du sujet âgé -- aspects physiopathologiques et cliniques. In Nutrition et Vieillissement, ed. by M.C. Bertière, H. Payette, Y. Guigoz, and B. Vellas. Serdi Edition 1999.
  2. Parmley, Mary Ann. When an older person needs help in the kitchen, National Food Safety Database.
  3. Seniors need wisdom on food safety. Food Safety and Inspection Service, United States Department of Agriculture.
  4. Donini LM, Savina C and Cannella C (2003) Eating habits and appetite control in the elderly: the anorexia of aging. International Psychogeriatrics 15, 73-87.

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