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domingo, 3 de fevereiro de 2013

O Stress e o Comportamento Alimentar


Food Today
Se tivesse de preparar um importante discurso público, seria tentada a lançar-se a uma caixa de biscoitos, ou ficaria completamente sem fome? 
O stress afeta o comportamento dos indivíduos de forma diferente.


Leia e descubra por quê
Nós experimentamos o stress quando algo acontece dentro de nós próprios, ou num ambiente que afete o nosso equilíbrio. Depois, desenvolvemos técnicas que combatam o agente stress ante e regressamos ao nosso estado normal. O stress pode ser interno, como a preocupação por algo ou a tristeza, ou externo, tal como o causado por um exame ou determinadas situações sociais. Como o stress faz parte da nossa vida diária, a forma como comemos em resposta ao stress pode ter um impacto na nossa dieta e saúde.

Lutar ou Fugir


Perante uma ameaça, o corpo reage automaticamente com uma resposta de “luta ou fuga”. A descarga de adrenalina conduz o sangue ao cérebro, ao coração e aos músculos, afastados do sistema digestivo, para preparar o nosso corpo para lutar ou fugir. Acredita-se que temos esta reação mesmo que a ameaça ou agente estressante seja psicológico ou emocional, no lugar de físico. Este estado de alerta deveria tornar-nos incapazes de comer e provocar náuseas1, inclusive. No entanto, descobriu-se que em algumas pessoas este estado ainda incentiva a comer mais1. Como se explica isto?

Quem faz dieta tem maior tendência a comer mais em situações de stress


Atualmente muitas pessoas estão em dieta para perder peso ou “controlar o seu peso”. A dieta normalmente envolve o controlo do tipo e da quantidade de alimentos que se consomem. Estas pessoas ainda ignoram os sinais que lhe dizem que têm fome para comer menos do que aquilo que gostariam; por outras palavras, que restringem a sua alimentação. Os indivíduos que comem em função do seu apetite, não impõem limites de consumo. Investigações têm demonstrado, em ocasiões repetidas, que quem limita a sua alimentação tende a comer mais em resposta ao stress, enquanto que aqueles que não limitam, tendem a comer menos2,3.

O stress pode levar à compulsão alimentar nos consumidores restritos


Dr. Paul Lattimore, um especialista em comportamento alimentar da Universidade John Moores de Liverpool, explica que os indivíduos que estão em dieta restrita comem mais em situações de stress. “ Quando as pessoas estão em dieta, elas despendem muita energia para controlar os seus sinais biológicos, o que faz com que lhes reste pouca energia para enfrentar os problemas cotidianos. Assim, quando em stress, perdem o controlo e se tem comida à mão consomem. Além disso, estas estão tão habituadas a ignorar os sinais do seu corpo, que interpretam mal os sinais relacionados com a luta ou fuga”.

Estratégias


Num recente estudo de grande escala, na Finlândia, concluiu-se que o índice de massa corporal (relação entre o peso e a altura) é maior em indivíduos que comam mais em situações de stress do que os indivíduos que tendem a consumir mais alimentos como as salsichas, hambúrgueres, chocolates e pizzas, em comparação com a restante população4. Ao comer, como resposta ao stress, as intenções de controlar o peso ficam condenadas ao insucesso; assim, qual a solução que se pode oferecer? Dr. Lattimore, baseando-se na sua experiência de prevenção da obesidade, oferece alguns conselhos: “ primeiramente, o indivíduo deve saber o tipo de situações que o levam a comer mais e, em seguida, tem de desenvolver modos alternativos de lidar com o stress. Uma solução ideal seria passear, para mudar de ideias e também queimar calorias”.

Conclusão


As pessoas que comem quando têm fome e deixam de comer quando estão saciadas, estão em sintonia com os seus sinais biológicos do organismo. Em situações de stress, estas pessoas não sentem fome. Os indivíduos que ignoram os seus sinais biológicos devem ser conscientes dos fatores emocionais e psicológicos, que os levam a visitar o frigorífico, desenvolvendo táticas para o evitar. A resposta ao stress revela a importância do uso de abordagens para o controlo de peso, que reduzam a restrição alimentar e privilegie o consumo de fruta e verduras (baixo conteúdo em calorias e muito nutritivos). Além disso, estes alimentos diluem a carga calórica ingerida, durante os episódios de compulsão.


Referências
  1. Greeno CG &Wing RR (1994) Stress-induced eating. Psychological Bulletin 115:444-464
  2. Lattimore P & Caswell N (2004) Differential effects of active and passive stress on food intake in restrained and unrestrained eaters. Appetite 42:167-173
  3. Polivy J and Herman CP (1999) Distress and dieting: why do dieters overeat? International Journal of Eating Disorder 25:153-164
  4. Laitinen J & Sovio U (2002) Stress-related eating and drinking behaviour and body mass index and predictors of this behaviour. Preventive Medicine 34:29-39.
Lia Nagel

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