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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Bebidas alcoólicas e nicotina poder afetar a recomposição óssea


Consumo de bebidas alcoólicas pode afetar metabolismo do tecido mais resistente do organismo.
Trabalho mostra que depois de cirurgia ortopédica ou implante dentário, quem bebe pode ter recuperação comprometida.

Resultado de imagem para consumo bebidas alcoolicas

Uma pesquisa mineira divulgada na revista científica da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot) mostra que o consumo de bebida alcoólica, mesmo em quantidades menores, provoca fragilidade nos ossos, o tecido mais resistente do corpo humano. De acordo com o estudo realizado por alunos de enfermagem da Universidade de Alfenas (Unifenas), no Sul de Minas, um indivíduo alcoólatra tem 60% a 70% de chances a mais de quebrar um osso do que uma pessoa que não bebe. O trabalho também demonstra que, depois de uma cirurgia ortopédica ou de implante dentário, o antigo hábito de ingerir bebidas alcoólicas prejudica a recuperação, tornando-a muito mais lenta. E nunca perfeita.
Os testes foram feitos com 15 ratos divididos em três grupos. O grupo de controle só bebeu água. Aos demais, os pesquisadores ministraram progressivamente dosagens de álcool etílico, como se fosse um alcoolismo crônico. Nas primeiras duas semanas da experiência, a dieta líquida variou de 5% a 10% de etanol, chegando a 15% na terceira semana. A diferença entre os grupos é que o primeiro continuou com essa dosagem até a 13ª semana, enquanto o segundo, numa desintoxicação, iniciou uma desadaptação gradativa do álcool de 10% e 5%, até terminar o procedimento bebendo só água.
Com 45 dias, os animais passaram por uma cirurgia para implante na tíbia de um biomaterial, a hidroxiapatita, em uma falha produzida no osso. A ideia era observar a recuperação do tecido. Segundo a pesquisadora que coordenou o trabalho, os ossos levam em torno de três meses para consolidação total. Quem bebe, no entanto, tem uma recuperação muito mais lenta, podendo triplicar o tempo que a estrutura leva para se recompor. Ainda assim, ressalta ela, a qualidade dessa recuperação não é perfeita, como ocorre com uma pessoa que não tem hábito de beber.
“Já sabíamos que a ingestão de álcool em grandes quantidades afetava o metabolismo ósseo. O alcoolista é aquele que bebe todo dia o equivalente a uma garrafa de cerveja ou uma dose de destilado. E o que impressiona é que os ratos foram levados a ingerir álcool a 15%, teor muito mais baixo do que o nível de destilados como o uísque e a cachaça, que chegam a 50%”, detalha Evelise. “Com isso, a gente mostra que o indivíduo que espera o fim de semana para beber bastante no churrasco, em seu momento de lazer, mesmo que seja com menor frequência, também vai ter sua estrutura óssea bastante agredida”, explica a pesquisadora.
No segundo momento do trabalho, depois de 90 dias do início dos testes, os ratos sofreram eutanásia. Com acompanhamento do Comitê de Ética Animal, os pesquisadores usaram um equipamento de engenharia mecânica para medir a força usada para quebrar o osso do crânio das cobaias. Os resultados mostram que a força necessária para o grupo de controle foi de 120 newtons; entre 90 e 100 newtons para os ratos desintoxicados; e 82 newtons para aqueles do grupo de alcoolistas. O newton é uma medida de força, cujo nome se dá em razão do cientista inglês Isaac Newton (1643-1727). Segundo o cirurgião ortopedista e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia Leandro Reckers, o osso é semelhante a um galho grosso de árvore.
“Se você apertar com os polegares, não acontece nada. Mas o osso de um alcoólatra de 30 anos equivale à estrutura de um idoso de 75 anos e, neste caso, você até consegue amassar um pouco porque a capinha de osso é muito frágil e, por dentro, ele é praticamente oco. Só passa sangue”, comparou Leandro, doutor em ortopedia pela Universidade de São Paulo (USP). O médico explica que o osso, quando se recupera, volta a se calcificar. Este processo é mais lento para quem faz uso de bebidas porque o etanol é tóxico para vários órgãos vitais e reduz a formação de células novas também no tecido ósseo. “O osso acaba se enfraquecendo e quebrando”, diz ele. “Numa cirurgia, a diferença entre essas estruturas é nítida.”

ABSTINÊNCIA 
A pesquisa foi concluída em maio de 2011 e aponta que os ossos do grupo de ratos que consumiu álcool etílico são 37,5% mais fracos do que aqueles que tiveram dieta líquida de água. O grupo desintoxicado ainda tem 22% de resistência maior do que o grupo alcoolista. “Ou seja, quem bebe tem o osso mais fraco e, numa queda ou acidente de carro, por causa da ingestão de álcool, leva mais tempo para se recuperar. 
Os cirurgiões, até mesmo para implante de dente, orientam o paciente a suspender a bebida e a pesquisa reforça. O grupo alcoolista apresentou reparo menor que o grupo que não consumiu etanol, formando menos 64% de osso”, acrescenta Evelise. 
Para Reckers, a maior dificuldade é convencer o paciente a não ingerir bebidas alcoólicas quando tem alta do hospital e volta para casa. “No hospital, a gente consegue controlar a abstinência. Mas, quando ele volta a beber em casa, corre-se o risco de até perder a cirurgia, porque ele pode cair novamente depois de beber e, pela fragilidade, quebrar o osso de novo, ou soltar placas e próteses”, conta o médico. “Daí a importância da conscientização.


Pesquisa do Instituto de Biologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) indica que o consumo associado de álcool e nicotina interfere negativamente na resistência dos ossos e na reparação de células ósseas. De acordo com o estudo - feito em ratos de laboratório -, uma pessoa que fuma e bebe tem resistência óssea 45% menor do que a de alguém sem esses vícios. Pelo estudo, o fêmur dos ratos mostrou-se mais frágil nas cobaias que ingeriram, simultaneamente, álcool e nicotina em dosagens equivalentes a cinco ou seis cigarros por dia ou a uma garrafa de cerveja diária.

Segundo a fonoaudióloga Evelise Soares, que estudou o assunto em sua dissertação de mestrado, não havia pesquisa que associasse o consumo conjunto de álcool e nicotina à resistência óssea.

O estudo foi dividido em duas partes: uma mediu a resistência do fêmur dos animais após a aplicação de doses diárias de álcool e cigarro; outra verificou a aderência ao osso de um tipo de implante de cerâmica - comum em enxertos dentários. "Os implantes realizados na tíbia do animal demonstraram comprometimento da reparação óssea nos animais tratados com nicotina e álcool. Houve baixo estímulo de produção de células ósseas", disse ela, que iniciou o estudo em 2004.

Foram utilizados 20 ratos na pesquisa, divididos em quatro grupos de cinco. Eles foram submetidos a 90 dias de doses diárias de álcool e nicotina. O primeiro grupo não recebeu os produtos, o segundo só nicotina, o terceiro apenas álcool e o quarto foi submetido às duas substâncias. "O resultado indicou que é necessária uma força 45% menor para quebrar o osso de pessoas que bebem ou fumam", afirmou Soares.

Para a pesquisadora, os resultados indicam que os profissionais de saúde devem redobrar a atenção quando forem submeter indivíduos a implantes ósseos em pacientes consumidores de álcool e cigarro. "Em muitos casos não se pergunta antes ao paciente que receberá um implante, por exemplo, a média de consumo diário de cigarro e bebidas alcoólicas."




Álcool e nicotina tornam ossos mais frágeis, conclui pesquisa



O álcool e a nicotina interferem negativamente na resistência dos ossos e na reparação óssea, sobretudo nos casos de implantes odontológicos e ortopédicos em que se utiliza a biocerâmica hidroxiapatita. A conclusão é da pesquisadora Evelise Aline Soares, após realizar estudo em ratos no Laboratório de Anatomia Humana do Instituto de Biologia da Unicamp (IB).
Pela pesquisa, o fêmur dos animais demonstrou-se mais frágil nos testes de resistência nos ratos que ingeriram, simultaneamente, etanol e nicotina em dosagens equivalente a um fumante consumidor de cinco a seis cigarros por dia ou um alcoolista que ingere uma garrafa de cerveja diariamente. Já os implantes de hidroxiapatita realizados na tíbia demonstraram comprometimento da reparação óssea nos animais tratados com nicotina e álcool.
De acordo com Evelise, os resultados apontam para a necessidade de uma atenção maior por parte dos profissionais de saúde para o efeito da ingestão concomitante do álcool e da nicotina em indivíduos que irão se submeter a um implante ósseo. Ela acredita que o consumo dessas drogas pode prejudicar ou, até mesmo, inviabilizar o procedimento. Em muitos casos registrados em levantamentos epidemiológicos, o índice de insucesso nas cirurgias de implantes ortopédicos e odontológicos é elevado. Com base nestas evidências, a anatomista quis investigar a fundo a relação entre a ingestão de bebidas alcoólicas e fumo e a recusa do implante pelo organismo.
Evelise relata que os prontuários odontológicos analisados para o estudo indicaram falhas na entrevista que é feita pelo profissional de saúde, antes do procedimento. “São coletados poucos dados sobre a real condição dos fumantes e alcoolistas”. As questões não aprofundam o estado do paciente em relação ao consumo das drogas. “Não se pergunta, por exemplo, a média de consumo diário de cigarro e bebidas alcoólicas”, explica. Neste sentido, Evelise acredita que o histórico do paciente deveria ser mais detalhado para que outros fatores fossem colocados na balança com o objetivo de evitar a falta de adesão dos ossos em implantes.
Na tese de mestrado, orientada pelo professor José Ângelo Camilli, os ratos foram submetidos a tratamento com etanol e nicotina durante quatro semanas. Na seqüência, os animais receberam o implante de hidroxiapatita densa e porosa e, depois da implantação, retornaram ao tratamento com as substâncias. Os ossos fêmures foram extraídos para testes de resistência e o resultado, comparado entre os grupos tratados e o controle.
Os fêmures dos ratos que ingeriram as drogas romperam mais facilmente do que aqueles que não fizeram uso de qualquer substância. Segundo Evelise, são poucos os relatos na literatura que apontam os efeitos nocivos para o tecido ósseo da associação etanol e nicotina. (R.C.S.)
Fonte: Raquel do Carmo Santos (Unicamp)

Efeitos do álcool sobre a osteoporose



A osteoporose é definida como uma doença que faz com que os ossos fiquem mais fracos e mais vulneráveis a fraturas ósseas. Geralmente, a osteoporose quebra ossos que estão localizados no punho, quadril e coluna vertebral, mas pode afetar qualquer osso no corpo também. A fratura de quadril pode causar deficiência de mobilidade, incapacidade permanente ou morte, enquanto uma fratura na coluna vertebral pode levar a dores nas costas, perda de altura ou deformidade. Existem muitos fatores que podem contribuir para a osteoporose, e um desses fatores é o consumo de álcool.
O cálcio é essencial para o desenvolvimento de ossos fortes e saudáveis, ea capacidade do álcool de esgotar as reservas de cálcio pode resultar em ossos mais fracos e osteoporose. De acordo com estudos, o álcool pode aumentar os níveis de hormônio da paratireóide. O hormônio da paratireóide age para regular os níveis de cálcio e fósforo. Quando o nível de hormônio da paratireóide é elevada, pode colocar uma pressão sobre as reservas de cálcio no organismo.

O álcool tem vários efeitos sobre o cálcio em nosso corpo. 
O álcool interfere com o pâncreas e sua absorção de cálcio e vitamina D. O álcool também afeta o fígado, o que é importante para ativar a vitamina D, que também é importante para a absorção de cálcio. Quando a deficiência de vitamina D ativa ocorre, o corpo não será capaz de absorver o cálcio do trato gastrointestinal de forma eficiente.
Bebedores pesados são mais propensos a sofrer fraturas freqüentes devido aos ossos frágeis e danos nos nervos, principalmente fraturas do quadril e espinha. Estas fraturas provavelmente curar lentamente por causa da desnutrição. 
A pesquisa mostra que o uso crônico de álcool pesado, especialmente durante a adolescência e idade adulta jovem, pode afetar drasticamente a saúde óssea e aumentar o risco de osteoporose mais tarde na vida.
Fonte: InfoDoença


Alcoolismo altera propriedades mecânicas dos ossos
Segundo estudo feito com animais, a desintoxicação melhora os níveis de cálcio, contudo, valores ainda permanecem inferiores ao de organismos que nunca fizeram uso de álcool.
Estimativas apontam que 13% da população mundial sofrem com o alcoolismo. Diante da gravidade do problema, cada vez mais pesquisadores vêm se dedicando ao estudo do álcool e seus malefícios sobre o organismo. 
Para investigar os efeitos do álcool e da desintoxicação alcoólica sobre a neoformação óssea e propriedade estrutural do osso, Evelise Aline Soares, da Universidade José do Rosário Velano (UNIFENAS), de Minas Gerais, e colegas desenvolveram uma pesquisa com animais.

Os autores contam em um estudo publicado ano passado na Acta Ortopédica Brasileira que 15 ratos foram divididos em três grupos, cada um com cinco animais. O primeiro recebeu uma dieta líquida à base de álcool etílico a 5% e 10%, nas duas primeiras semanas, e de álcool etílico a 15% da terceira até a décima semana. Um segundo grupo foi submetido ao mesmo regime, porém na quarta semana iniciaram um período de desadaptação gradativa ao álcool. Houve ainda um terceiro grupo (controle) que não foi submetido à dieta líquida à base de álcool. Vale lembrar que todos os animais receberam a mesma dieta sólida e recebiam água.

Após quatro semanas, foram colocados implantes de hidroxiapatita (HAD) na tíbia dos animais e foi produzida uma falha no osso perietal e, ao final das 13 semanas, os autores analisaram os ossos dos ratos.

Eles contam no artigo que os animais do grupo de alcoolista crônico "apresentaram menores valores de neoformação óssea, de calcemia e resistência mecânica, quando comparados aos grupos controle e desintoxicado". Além disso, os ratos desintoxicados "apresentaram valores superiores em todas as variáveis avaliadas em relação ao grupo alcoolista crônico", destacam na pesquisa.

Dessa forma, os pesquisadores concluem que “o consumo de etanol na concentração de 15% interferiu negativamente na osteogênese ao redor de implante de HAD, nos níveis de cálcio e na resistência mecânica óssea". Já a desintoxicaçãp alcoólica demonstrou-se eficaz. Nesse sentido, os autores lembram que os profissionais de saúde devem estar atentos aos hábitos do paciente uma vez que estes podem interferir na osseointegração e no reparo ósseo após fraturas.

Fonte: Wscom

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