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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Crimes virtuais



Seu computador pode ser invadido e suas informações serem usadas por criminosos virtuais. Aprenda a se proteger desse tipo de ameaça.
Se você já recebeu um e-mail da “Receita Federal” ou um link estranho de um colega com quem raramente conversa, já esteve exposto a atividades maliciosas na Internet. Quando a ameaça é simples, ter seu computador invadido depende de um clique em um link aparentemente inofensivo. O Brasil está em quinto lugar no ranking mundial desse tipo de ação. Vírus, spywares, cavalos de tróia e spams são enviados a todo momento.
Para Rodrigo Antão, gerente de negócios da Techbiz, o que vemos hoje é um movimento de banalização de crimes virtuais: “Existem criminosos tecnológicos com conhecimento técnico alto e outros com conhecimento baixíssimo, qualquer adolescente pode cometer esses crimes”.

O que normalmente esses links mal-intencionados fazem é levar o internauta para sites falsos. Em muitos casos, eles se parecem com sites de bancos. Enganam os usuários “para recolherem suas informações, como senhas e documentos”, diz Rodrigo. “Eles vão montando bases com números e dados com o intuito de fazer transações financeiras. Ou fazem o que agora é mais comum, o sequestro de dados, pegam seu documento, criptografam [bloquear com senha], e fazem chantagem."

Como se proteger de tantas ameaças? As primeira dica é sempre prevenir. Um programa de antivírus atualizado é o conselho número um dos especialistas. Para Paulo Vendramini, gerente de engenharia da Symantec, “é importante que os produtos de segurança sejam proativos ". Ou seja, que eles fiquem constantemente buscando os vírus novos que surgem a todo momento na rede.

É importante evitar a tentação de clicar em conteúdo que você desconhece a origem. Lembre-se de checar quem lhe enviou tudo, ler toda a mensagem antes de clicar em algum link. “Para quem usa dispositivos móveis (notebooks, netbooks e celulares), a dica é sempre colocar senhas, se alguém roubar você, vai dificultar o acesso. Para quem utiliza em empresas, é melhor usar redes protegidas, o que chamamos de VPN”, diz Vendramini.

Mesmo com um bom antivírus instalado, ninguém está totalmente seguro. Existem algumas formas para o usuário comum perceber se seu computador foi invadido. As anomalias na máquina são bastante visíveis em um sistema operacional como o Windows. Rodrigo diz que os principais sintomas para você identificar se o PC está transmitindo seus dados para alguém:
  • o disco começa a ficar cheio sem que você esteja acrescentando coisas;
  • o tempo que a máquina leva para iniciar aumenta muito;
  • a conexão com a internet cai inesperadamente e várias vezes;
  • você digita o endereço de seu banco e ele leva você para uma outra página.
Outra coisa que uma pessoa não especializada pode fazer é: no Windows, digitar Ctrl + Alt + Del, clicar em Gerenciador de Tarefas e em Desempenho. Ele vai mostrar visualmente os percentuais de uso do computador. “Se a máquina estiver infectada, os percentuais de uso podem chegar a 70% mesmo que o usurário não esteja fazendo nada”, diz Rodrigo.
Se perceber todos esses sinais, pode ser que você seja vítima de criminosos virtuais. A melhor atitude é desligar a máquina e chamar alguém realmente especializado para resolver o problema. Se você não confia no equipamento, pare imediatamente sua utilização. Não tente transportar dados do computador infectado para outras máquinas em pen-drivers ou enviando arquivos pela rede.
E se eu descobrir que usaram meus dados sem autorização? O que eu faço?



Quem tem dados pessoais na internet, como fotos e vídeos em Facebook e Orkut, por exemplo, não está livre dessa ameaça. Se alguém usar suas coisas sem autorização, você pode e deve procurar a justiça. A primeira ação da vítima deve ser manter o registro do crime. “Você precisa preservar a prova, podemos gerar um print screen (copiar a tela) e imprimir a prova”, esclarece a advogada Patrícia Peck, especializada em direito digital.


Depois de preservar a evidência, “a vítima deve avisar a parte que está envolvida. Se sofreu uma fraude bancária, a pessoa deve avisar o gerente do banco. Se sua foto for utilizada sem sua autorização em um site de relacionamentos, você deve avisar o provedor do serviço, como o Orkut. Para empresas que forem lesadas é uma pouco mais complicado, mas a “vítima pessoa física só precisa de um registro mínimo da evidência, como uma cópia da tela. É importante ter o código fonte da página e imprimi-lo porque a informação de número de IP, que pode ajudar a investigar, não vai aparecer na tela principal”, diz Patrícia.
Com a prova nas mãos é só você ir à delegacia mais próxima e fazer um boletim de ocorrência. Patrícia lembra que já existem delegacias especializadas em crimes eletrônicos no Brasil.

Fonte: Denise Dalla Colletta/Galileu

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