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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Os perigos da automedicação


Quem é que não tem na bolsa um remedinho ótimo para cólica, gripe ou dor de cabeça e recorre a ele sempre que necessário? O número de mulheres que atuam como suas próprias médicas é muito grande, tanto que pesquisas indicam que no Brasil, esse é um hábito de 80% da população. Se você faz parte dessa estimativa,: a combinação errada de substâncias e a ingestão de remédios sem a devida orientação médica podem provocar reações adversas e até mesmo levar ao óbito.
Ok, que um remedinho é sempre ótimo para aliviar aquela dorzinha chata, todas nós concordamos. Mas, alguma vez você se perguntou se realmente precisava tomar aquele medicamento? “Há um comportamento imediatista em nossa cultura, querermos tudo agora e com isso deixamos de interpretar alguns sinais do nosso corpo. Por exemplo: muitas vezes uma dor de cabeça é simplesmente falta de ingerirmos um pouco mais de água. Hoje, vivemos essa desconexão da mente e corpo, fruto da agitação da vida moderna que fez com que, na corrida pela subsistência, perdêssemos o contato com nossa essência, com nossa alma”, explica Luiz Gonzaga Leite, chefe do departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula (SP). Dentre as várias causas da automedicação estão: achar que os sintomas de uma doença que eventualmente sofreu são os mesmos que está sentindo naquele momento, basear-se em prescrição médica antiga que resolveu o problema de saúde à época, dificuldade de acesso a assistência médica (marcação de consultas muito demoradas) e imediatismo ou ansiedade em resolver o problema. “No Brasil, um dos agravantes, é a facilidade encontrada pela indústria para fazer propaganda de medicamentos que estimulem seu consumo, a ausência de fiscalização governamental e, pior, com a frase, “ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”, o governo está dizendo: automedique-se, se não melhorar procure um médico’. Além disso, há a ausência de farmacêuticos em muitas farmácias e balconistas treinados, ausência de campanhas de alerta sobre riscos da automedicação na mídia, etc”, enumera o médico Fernando Cabral de Oliveira, chefe do Serviço de Clínica Médica do Hospital Vila Mariana (SP).
Cuidado com os exageros Dados da Organização Mundial da Saúde revelam que o percentual de internações hospitalares provocadas por reações adversas a medicamentos ultrapassa 10%. Selecionamos os mais usados na automedicação e quais complicações o seu uso em excesso pode causar.
SERÁ QUE UM REMEDINHO NÃO FAZ MAL A NINGUÉM? Segundo a Organização Mundial de Saúde, a automedicação pode gerar um diagnóstico incorreto e/ou mascaramento do distúrbio, levando a demora no reconhecimento e tratamento adequado, a escolha inadequada da terapia, dosagem inadequada da droga, período de tratamento excessivamente curto ou prolongado, risco de dependência, possibilidade de reações adversas indesejáveis e sérias, e a administração incorreta do remédio. “Existem medicamentos que não podem ser administrados na presença de alimentos ou em associação de antiácidos ou drogas que diminuam a acidez gástrica porque prejudicam sua absorção”, alerta o Dr. Fernando Oliveira. É importante ter em mente que “se a possibilidade do tratamento da dor com remédios é descartada, surge uma outra possibilidade, que é a da alma, ou seja, nossas angústias e medos reclamam por atenção através da dor. Nesses casos, o melhor caminho é consultar um psicólogo”, aconselha Luiz Gonzaga Leite.
Como armazenar os remédios - Jogue fora todos os medicamentos com data de validade vencida. - Os medicamentos devem ser armazenados em recipiente apropriado. “Por exemplo, caixa plástica ou maleta de madeira, com fecho adequado ou chaveamento, dificultando acesso a menores”, aconselha Dr. Fernando Antonio Cabral de Oliveira, chefe do Serviço de Clínica Médica do Hospital Vila Mariana (SP). - Mantenha a farmacinha no cômodo mais seco da residência, longe da luz e calor. - Se houver crianças em casa, tranque com cadeado a caixa de remédios e guarde-a no alto, para evitar intoxicações e outros acidentes. - Não utilize medicamentos após o fim do tratamento. - Nunca guarde a bula de um remédio na caixa de outro.
Fonte: Malu Bonetto

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