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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Os limites da honestidade

Como o cérebro trabalha quando você tem a chance de mentir ou trapacear?
Existem pessoas naturalmente honestas?
Para responder a essas dúvidas dois pesquisadores de Harvard, Joshua Greene e Joseph Paxton resolveram testar a honestidade de uma série de voluntários com uma brincadeira simples: tentar adivinhar se vai dar cara ou coroa no lançamento de uma moeda.
Cada pessoa devia anotar num papel sua escolha antes da moeda ser lançada ao alto e simplesmente dizer aos médicos se acertou ou não. Se a resposta estivesse certa, ganhavam dinheiro, ou seja, tinham a chance enorme de trapacear.

Acontece que cada um desses voluntários estava ligado a um aparelho de ressonância que escaneava os centros de decisão e comportamento do cérebro. Os jogadores honestos não apresentavam nenhum aumento na atividade no córtex pré frontal, sugerindo que eles não precisam fazer um esforço consciente em ser honesto. Já os trapaceadores mostraram um aumento de atividade nas chances que tiveram em ser desonestos mesmo nas situações onde falavam que tinham errado na aposta.

Na realidade os dois médicos afirmaram que chegou um ponto onde eles podiam prever, pelos scans, se pessoa estava para mentir ou não.
Se o resultado do estudo puder ser aplicado no dia a dia, o Dr. Greene afirma que uma empresa poder usar o escaneamento cerebral para verificar se um potencial funcionário é honesto ou não.
Apesar de alguns médicos afirmarem que ainda são necessários mais testes para legitimar a pesquisa, não é difícil imaginar o que aconteceria se exigíssemos esse tipo de coisa de candidatos a cargos políticos ou a futuros namorados e namoradas.
Como ter sua carteira devolvida
Já na Escócia o psicólogo Richard Wiseman e seu time fizeram um teste no mínimo inusitado. Eles espalharam 240 carteiras, divididas em seis grupos de 40 em locais de grande público e analisaram quais seriam devolvidas. A grande pegada era o que havia no seu interior. Um dos grupos possuía uma foto de um bebê sorridente, enquanto o segundo a de uma família, o terceiro a de um filhote de cachorro, no quarto a de um casal de velhinhos e no grupo controle não havia nada. Nenhuma das carteiras possuía dinheiro, mas continha cartões de afiliação em associações, bônus em lojas, o endereço para devolução e em algumas, comprovantes de doações a instituições de caridade.
A carteira com fotos do bebê teve o maior índice de retorno ao "dono": 88%, seguida da do cachorro (53%), família (48%) e casal de idosos (28%). Somente 20% das carteiras do grupo controle foram retornadas.
De acordo com o Dr. Wiseman, o resultado reflete um instinto natural de compaixão frente a "crianças vulneráveis" que as pessoas evoluíram com o tempo para garantir a perpetuação das futuras gerações.
Além disso, no processo de evolução, seria muito difícil para que o código genético fixasse o sentimento de empatia exclusivamente à criança da pessoa, ao invés disso acaba espalhando essa sensação para todos os infantes.
Essa empatia por bebês já havia sido pesquisada pela Universidade de Oxford quando, através de ressonância magnética, verificou a atividade cerebral de voluntários quando confrontados com fotos de adultos atraentes e belos rebentos. No segundo caso, as áreas cerebrais ligadas à empatia respondiam muito mais rapidamente. Tão rápido que era conclusivo de que se tratava de uma reação não consciente.
Sendo assim, pesquise um foto de um bebê fofinho na internet, imprima-a e coloque na sua carteira. Se você a perder, seguramente a terá de volta em pouquíssimo tempo.

Fonte: Especial Terra

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