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terça-feira, 1 de junho de 2010

Ciclismo: O Pelotão do Lago Sul

coisas que Brasília oferece gratuitamente a seus moradores, mas apenas poucos deles usufruem ou têm conhecimento.

Uma delas é o pelotão de ciclistas do Lago Sul, bairro nobre da capital federal.

Os habitantes da região e as pessoas que circulam por lá têm a oportunidade de assistir, nas manhãs de sábados, domingos e feriados, a um espetáculo, de cor e velocidade, proporcionado pelos atletas uniformizados em suas bicicletas.

Lá, os melhores ciclistas e triatletas (espécie e não gênero), de ambos os sexos, do Distrito Federal, reúnem-se para treinar e conversar sobre o esporte.

Atletas das equipes ciclísticas da 101 Bike Clube, Biciclo, Unidf, Unicesp, Ciclo Race, DF Ciclismo, Icesp, JC Bikes, LeãoBikes/Ciclo Miroir/Metal Cap/Vanilla Ice, Marcelo Rocha, Presença Esportes, Unibike e Veloce Bikes, entre outras, além dos avulsos, se concentram no primeiro posto do Lago Sul, na QI 01. O número de participantes varia de 60 a 90 atletas. Partem, sempre, às 08h30 e chegam por volta das 10h00, depois de ter percorrido percurso numa média de mais de 40 km/h. O local oferece percursos distintos aos atletas.

No sábado, por exemplo, a galera geralmente sobe a 8% (nome dado pelo pessoal devido ao grau de inclinação) e a Matinha, duas subidas íngremes nas proximidades da ponte JK (foto), um dos cartões postais de Brasília. Nesses dois morros, o pelotão sempre quebra. Os ciclistas e triatletas melhores condicionados fisicamente ditam o ritmo. Para os demais, começa o momento de perseguição, formando pequenos grupos, que só termina na chegada. São 76 quilômetros.

No dia seguinte, domingo, por sua vez, como a galera subiu no dia anterior, o treino, geralmente, segue pela via da ponte JK e da L4 Norte, retornando nas proximidades da ponte do Bragueto, percorrendo o percurso inverso até o mesmo posto de gasolina na QI 01. É um treino um pouco menos longo, mas não sem muita tentativa de fuga e sofrimento. São 65 quilômetros. Nos feriados, a decisão ou é tomada na hora ou já fica acertada no treino anterior.

Em todos os percursos ocorre a passagem pela ponte JK.

Vale a pena tirar uma foto.

Toda semana a mesma coisa. O pessoal vai chegando, se aquecendo, conversando, trocando experiências até começar o treino. A partir daí, dá-se início a certo comportamento padrão: integrantes das diversas equipes começam a colocar seu ritmo, fazendo com que os demais se posicionem no meio do pelotão, evitando o vento de frente e mantendo a cadência imposta. Contra-ataques são constantes. Há até expressões pouco carinhosas ditas por atletas durante a prova, com o objetivo, naturalmente, de avisar o companheiro de ter cuidado com as manobras, às vezes perigosas capazes de causar a queda de vários. Dentro desse espírito de colaboração, o uso de códigos para alertar os participantes sobre buraco, veículo parado no acostamento, sinal vermelho, cones no meio da pista, quebra-mola, é comumente utilizado. Isso sem falar na “mão santa”, um empurrãozinho nas costas de ou por um colega num momento crítico, prestes a sobrar.

É comum os ciclistas fazerem ziguezague durante o treino. Não é para mostrar bonito ou atrapalhar o trânsito. Trata-se de uma tática empregada em tentativa de fuga. Toda vez que o pelotão do Lago Sul estiver em fila indiana o ritmo está intenso, devido, provavelmente, a uma tentativa de evasão, estando o pelotão em ritmo de perseguição para neutralizá-la, bem como para se proteger do vento; toda vez que o pelotão estiver agrupado a velocidade está constante, em que alguém está aguardando melhor momento para o ataque.

Ver passar os ciclistas e triatletas, todos enfileirados ou agrupados, enche os olhos de quem esteja passeando ou passando pela região. É um momento de curtição para os transeuntes principalmente. É comum motorista buzinar, cumprimentando os atletas, passageiro dando palavra de incentivo, pessoas batendo palmas ou até criticando por tomar espaço na pista. O ciclismo possui uma das mais belas plásticas, que fascina quem o assisti, por ser visível o esforço físico do atleta.

O pelotão do Lago já é, de certa forma, conhecido dos motoristas que trafegam por lá. Assim, há uma espécie de acordo de cavalheiros firmado entre as partes. De um lado, os atletas orientam seus colegas a dar passagem aos carros; de outro, os motoristas externam paciência e cuidado aguardando os ciclistas passarem pelo sinal vermelho ou darem passagem a eles. Essa situação forma uma espécie de costume ou respeito entre ciclistas e motoristas. Até parece a Europa, onde o atleta é respeitado e o ciclismo é o esporte número um em vários países, o que não quer dizer que não ocorra abusos por parte de ciclista ou motorista.

Agora, surgiu o Super Pelotão 60, proposta de ciclistas do DF. Inicialmente, era todo primeiro ou último domingo do mês. É um treino mais leve, ritmado, sem tentativa de fuga, com o objetivo de trazer mais pessoas para o esporte. A média é de cerca de 35 km/h para os 64 quilômetros. A próxima edição está marcada para 27 de junho.

Pois é, são coisas de Brasília que precisam ser conhecidas.

Quem sabe seja mais um ponto turístico da capital federal a ser trabalhado.

É o pelotão do Lago Sul, a ser curtido e valorizado por todos os ciclistas que venham visitar a capital do País, pois ele “é coisa nossa”.


Colaboração: Jeferson Mário (Ciclista e amigo)

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