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sábado, 11 de junho de 2011

A idade do namorado

Elas contam por que a diferença de gerações entre homens e mulheres pode tornar um
relacionamento muito interessante.

Pergunte a qualquer homem sobre o que é namorar uma mulher mais nova e ele vai discorrer sobre o deleite da pele jovem, a exuberância das coxas durinhas e a importância de ter ao lado alguém cheio de vida.

Se a situação é inversa, e ele namorar uma mulher mais velha, suas razões para o romance ganham cunho menos leviano. Ele cita a experiência, a estabilidade financeira e a tranqüilidade de estar ao lado de uma mulher madura. Mas o que elas levam em conta quando estão diante da discussão entre virtudes (e defeitos) associadas à idade do namorado?

Pois saiba: homens e mulheres querem exatamente as mesmas coisas. Quando se trata de romance, os interesses de ambos os sexos são parecidíssimos. As mais velhas ficam estimuladas com o frescor dos anos a menos do parceiro. As mais novas admiram a segurança proporcionada por quem já alcançou seus objetivos. A diferença é que, para as mulheres, assumir relações em que existe um abismo na idade ainda é uma questão delicada.

"A garota com o velho é tida como interesseira. A cinqüentona com o novinho é malvista. Socialmente, há uma torcida contra. Puro preconceito", afirma a sexóloga paulista Maria Cristina Martins.

Pelo menos no que diz respeito às que estão na meia-idade, sobrancelhas franzidas parecem não assustar mais. Não é possível mensurar estatisticamente, mas a impressão é que aumentou o número de mulheres que caem de encantos por jovens rapazes – ou que pelo menos assumem o fato.

Uma das razões pode ser a impressionante mudança que se processou no comportamento feminino de quem entrou na casa dos "enta". Instalou-se um gritante descompasso entre a idade cronológica e a disposição física, psicológica e emocional dessas mulheres. A quarentona de hoje está longe do estereótipo daquela de anos atrás.

Como está mais bem-cuidada, disposta e interessante, ela passou a procurar companheiros que acompanhem seu ritmo. "Eu não imagino minha vida vendo filme no sábado à noite, como fazem os casais de minha idade. Meu negócio é emendar restaurante com boate e ainda viajar no domingo", afirma a secretária executiva Vera Lúcia Martins, 33 anos. Há cinco meses ela namora o analista de sistemas Edgar Menezes, quase dez anos mais moço. "Sou fascinada pela disponibilidade de inventar programas e topar qualquer coisa. A disposição dele me enche de energia", diz. Na trilha do companheiro, elas passam a viajar mais, a fazer mais esporte, a frequentar mais festas – isso para ficar só no campo dos programas a dois.

A busca do desempenho sexual satisfatório também entra na contabilidade das mulheres que optam por um homem mais novo. "Ele é muito criativo, não é nada conservador", conta Vera. O fato é que o otimismo juvenil eleva a auto estima feminina. "Um namorado novo faz com que a mulher se lembre de que ela ainda é atraente, que a sensualidade não foi embora com a idade", diz a psicóloga Maria Tereza Maldonado, autora de 25 livros sobre relacionamentos.

A situação inversa se dá quando elas é que são as mais novas. Um quarentão desfilando com uma gatinha ainda é algo que provoca uma maliciosa compreensão do resto da humanidade. Há uma expectativa de que esse tipo de romance dure mais que o da mulher mais velha com o jovem, por ser uma situação que foi muito comum anos atrás.

No entanto, o que atrai as garotas mais novas não é a possibilidade de ser sustentada pelo homem mais velho, e sim a tranquilidade que um relacionamento maduro transmite, a oportunidade implícita de poder se dedicar aos próprios interesses sem se preocupar apenas com dinheiro. As cobranças também tendem a diminuir em um relacionamento em que o homem é mais maduro, mais experiente.

Há um ano e meio a estilista carioca Roberta Limmer, de 29 anos, namora o gerente de operações Roberto Catalão, 51 anos. Antes de conhecê-lo, ela foi casada com um homem de sua faixa etária. "Ele tinha crises histéricas toda vez que eu precisava viajar a trabalho. Queria que eu largasse o emprego e o acompanhasse em todos os compromissos sociais", lembra. Acostumada com a insegurança do ex-marido, Roberta se encantou com a serenidade de Roberto. "Ele não só me entende como me estimula a me dedicar muito a minha carreira", afirma. De fato, ao lado de alguém estável financeiramente, o sucesso profissional deixa de ser uma necessidade e passa a ser um objetivo. "Torna-se uma busca de realização pessoal, sem a pressão para pagar as contas", comenta Eliana Helsinger, da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Quando o assunto é sexo, Roberta também vê vantagens. "Ao contrário dos mais novos, que são mais egoístas e costumam forçar a barra, os maduros se preocupam mais com seu prazer", diz.

Tirando as discussões sexuais, que comportam interpretações comportamentais, há um assunto que nada tem a ver com a excitação da vida a dois e que costuma ser resolvido por casais em que homens e mulheres possuem a mesma idade. São os filhos.

Quando a mulher é mais velha e tem um parceiro mais novo, a estatística trabalha contra o surgimento de um bebê, fruto de uma relação tardia. A chance de uma mulher engravidar cai a partir dos 27 anos, quando o processo de envelhecimento dos óvulos começa a se acentuar. Aos 30 anos, a cada relação sexual em período fértil, o índice de gravidez é de 18%. Essa taxa cai para 5% na faixa dos 40. Já para as mais novas, envolvidas com homens mais velhos, a questão pode ser a relutância do marido. Em geral, a maioria vem de outros casamentos e não quer mais saber de ter filhos.

Fonte: Veja

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