Conexão Lia Nagel

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Fuja do "lixo" dos relacionamentos que já terminaram....

Entre mortos e feridos....


Uma das coisas que mais me incomodam no convívio humano (e, por consequência, um dos meus temas recorrentes neste espaço) é o quanto as pessoas se agarram ao próprio lixo. Não que eu não tenha minha própria lata enferrujada, mas eu tento - e tento com sucesso considerável, devo admitir - me livrar do que não me serve mais.

É curioso notar como as relações mais devastadoras são as que mais suscitam apego (essas relações são piores do que lixo, pois o lixo ainda pode ser reciclado).

Uma amiga teve um casamento desastroso. Quando começa a se dar o direito de pensar num outro romance, ela engata paquera com um homem que também teve um casamento desastroso. E como eles combinam um primeiro encontro? Purgando dores e falando dos respectivos ex!

Quando minha amiga me perguntou o que eu achava disso, eu tive de ser sincera. E mostro a você, agora, o que minha sinceridade respondeu a ela.



"Dear, se você me pede uma análise sobre a proposta do seu novo quase-amor, suponho que não queira a averbação da felicidade futura. Por exemplo, se você está em dúvida sobre fumar ou não maconha e decide pedir uma opinião ao Marcelo D2, você já tomou sua decisão - apenas não quer se responsabilizar por ela ainda.

Portanto, como você perguntou a mim (e sabe o que eu penso a respeito), você já tomou uma decisão. De qualquer maneira, lá vai minha resposta: eu odiaria passar minha primeira noite com um homem desse modo, o-d-i-a-r-i-a! Em vez de vocês começarem pelo começo - um novo, leve, limpo, solar começo, um começo onde haja apenas vocês dois -, a proposta é iniciar pelo avesso, pelo enterro dos mortos (que já deveriam estar devidamente enterrados). Vai ser um encontro estranho: você, seu ex, ele e a ex dele (dois humanos, dois espectros: que medo).


Que tal tentar convidá-lo para um espaço em que só entrem você e ele? Exorcizar fantasmas é coisa que a gente faz no analista, faz sozinho. Quando vai encontrar alguém, ou vai com a alma aberta, para olhar para frente, sem arrastar latas, ou é melhor não ir. Se as tranqueiras do passado se amontoam pela sala, ainda não é hora de começar nada, nem amizade com benefícios, nem namoro, nem nada. Vocês vão detonar essa relação se a iniciarem assim, metendo nela outras pessoas (pessoas que deveriam estar mortas, mas que pelo visto estão cheias de dolorosa vitalidade).

Abre a janela, deixa o sol entrar (oh, violinos quase soam ao fundo) e corta esse papo de 'vamos trocar dores'. Vocês têm de trocar suor, tesão, olhares intensos, risadas, conhecimento, bobagens, leveza, livros, músicas, salivas. Sem mortos para que não haja mais feridos".



*Stella Florence nasceu em 67, tem uma filha, 30 tatuagens e oito livros, entre eles "Hoje Acordei Gorda" e "32 - 32 anos, 32 homens, 32 tatuagens". A mescla de humor e drama, além do verbo ácido, se tornou a marca registrada de sua literatura. Stella é tão alucinada por Gabriel García Márquez que sua cama (sim, sua cama!) tem o mesmo apelido do escritor colombiano: Gabo. Cada louco com sua mania...

Fonte: Stella Florence*

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