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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Trabalho e aposentadoria na Terceira Idade


Introdução
Nossa apresentação “Trabalho e Aposentadoria” são uma expressão da história do idoso, homem ou mulher após os 60 anos, quando se desliga do trabalho contínuo, às vezes iniciado na adolescência. O desligamento da rotina de anos de trabalho significa um giro de 180° e às vezes, esta mudança é dramática pelas consequências psicológicas e morais. O sujeito deve repensar e redefinir sua vida e identidade ao mesmo tempo em que deve assumir sua velhice e o estigma de ser inativo, da fragilidade física e a competência para produzir.
Outro grande preconceito que cerca a velhice é o apelo à beleza física, “só o jovem é belo!”, dizem muitos. No entanto o corpo tem belezas particulares, e outras maneiras de realçá-las, especialmente com a incorporação de hábitos e práticas saudáveis. Para alguns a perda da função principal da vida, trabalho produtivo economicamente para o homem, e criação de filhos para a mulher, é um grande impacto, pois os maiores valores estavam apoiados nessas funções.
Para qualquer pessoa que se aposenta, a incorporação gradativa de outras ocupações, de interesses novos, a adesão voluntária a trabalhos sociais são derivativos excelentes, capazes de conferir um novo sentido de vida e ocupar produtivamente o tempo livre, sempre que sejam favorecedoras do desenvolvimento humano e estímulo mental e manutenção emocional de valores altruístas. É necessário entender que há uma diferença substancial em “ser velho” e “estar velho”. Todos nós estaremos velhos um dia, porque a velhice é um estado biológico, mas ser velho é a dimensão emocional de nossa personalidade.
O grande filósofo Kalil Gibran diz que: “na humanidade existem duas grandes filas, na primeira estão pessoas que caminham aceleradamente com passos firmes entoando canções como se tivesse à garganta reforçada por cordões de prata. Na segunda, pessoas que caminham pesadamente, cansadas, tão curvadas como se tivessem apoiadas em bengalas. De fato, tanto numa fila como na outra existem jovens e velhos. Com isso, quero dizer que a velhice não se caracteriza pelas perdas físicas ou pela mudança de aparência. Na verdade velho é aquele que perdeu a alegria de viver”.

Discriminação da terceira idade no mercado de trabalho

Ao estudar as estatísticas do Ministério do Trabalho, referentes ás admissões e demissões nas empresas do Estado do Rio de Janeiro, fizeram constatações que mostraram que nosso setor formal está desligando principalmente às pessoas que tem mais de 40 anos de idade. O aprofundamento desses estudos demonstrou que o fenômeno pode ter repercussões muito importantes para o futuro da sociedade brasileira, além de ser a discriminação em si uma chaga social que merece repulsa e reação imediata.
No Brasil, país tradicionalmente jovem, prevê-se uma população idosa superior a 30 milhões em 2020, representando 13% do total, contra 14,5 milhões equivalente a 8,6%, constatados no ano 2000. Mas mesmo esses 8,6% já são raridade em um país cujos censos de 1940, 1950, 1960 e 1970 apresentaram uma estabilidade do perfil etário impressionante: a população abaixo de 20 anos manteve-se em volta da metade do total da população completa, e acima de 65 anos em torno de 3% daquele mesmo total. A população idosa é predominantemente feminina, no Brasil em 2000 a mulher vivia oito anos mais do que os homens, 55% dos idosos eram mulheres e 45% homens. Todavia ao desagregar esses dados, verifica-se que há proporcionalmente mais mulheres idosas nas zonas urbanas e mais homens velhos nas zonas rurais – neste último caso porque há maior longevidade no trabalho masculino no campo.
Outro aspecto revelado pelo Censo do ano 2000 é que 22,3% dos aposentados brasileiros trabalham: 30,2% dos homens e 14,1% das mulheres. O fenômeno era, sobretudo intenso nas zonas rurais, em que 31,2% dos aposentados trabalhavam, enquanto nas cidades o percentual era de 20,2%. Quanto aos rendimentos, os dados revelaram uma certa melhora na renda média percebidos pelos responsáveis idosos no período do censo, principalmente nas zonas rurais do país. Contudo, de uma forma geral a distribuição dos responsáveis idosos por classes de rendimentos, ainda se encontra extremamente concentrada nos extratos de rendas inferiores.
Por outro lado, esses responsáveis idosos também apresentaram uma ligeira melhora no aspecto educacional, aumentando a proporção de idosos alfabetizados entre 1991 e 2000, embora a média de anos de estudo deste segmento ainda seja extremamente baixa. A tese de que as campanhas de alfabetização devam ignorar os idosos é destituída de razão. Muito ao contrário deve-se investir no aumento da escolaridade dos velhos, além de se criarem mecanismos de certificação de suas habilidades e conhecimentos obtidos pela própria vivência prolongada, o que é totalmente compatível com a filosofia mais moderna de educação continuada. Mesmo porque os dados aqui alinhados revelam que os idosos necessitam e querem dispor de melhores meios econômicos e financeiros para auxiliar nas obrigações familiares. Conseqüentemente a diminuição laboral ganha realce e o idoso tem que ser olhado sob esse prisma das oportunidades ocupacionais.
Os sintomas da discriminação
Os grupos etários mais velhos estão perdendo sua participação na população ocupada. O grupo de 40 a 49 anos perdeu, segundo o censo do ano 2000, 5000 postos de trabalhos. Entre 50 a 64 anos de idade, perderam 12 mil empregos, e os idosos de 65 anos ou mais, já de reduzida participação no emprego formal, perderam 3000 vagas. Porém, estamos plenamente conscientes de que o enfoque para uma sociedade que envelhecerá rapidamente deve ser necessariamente mais abrangente, abordando também os aspectos de saúde e nutrição, habitação e meio ambiente, família, proteção ao consumidor idoso, bem estar social e educação, além da geração de empregos e renda. Sempre com o sentido final de assegurar ao idoso independência, participação, auto-realização, proteção social e dignidade.
Vivemos muito recentemente os impactos da inserção da mulher como força de trabalho no mercado, e podemos claramente mapear suas causas e consequências para a distribuição de renda e para a necessária reconfiguração de nossos valores culturais. Mas o início do século XXI trouxe um desafio ainda maior para o mercado profissional: compreender e reavaliar o espaço destinado à força de trabalho disponível com idade superior a 60 anos. Somando-se a essa composição, é bastante comum que a perda da condição de ser produtivo, seja pela aposentadoria, seja pelo desemprego, além de reduzir sua participação no mercado de consumo, venha acompanhada de um sentimento de desvalorização quanto a sua auto-estima, a sua realização e satisfação pela vida.
A vivência de anos de mercado de trabalho caracterizado pelo emprego fixo e pela ansiedade da aposentadoria como ideal social e culturalmente descrita como “fase idílica de descanso e gozo dos prazeres da vida”, levou esta geração que hoje se encontra na terceira idade, a um choque, vale dizer, o avanço da medicina possibilita uma condição física e mental de maior longevidade, instala-se o desejo de permanecer como ser produtivo, mas o mercado de trabalho ainda não compreende como utilizar as competências deste segmento. O mercado de trabalho precisa potencializar esta condição oferecendo maiores possibilidades para os idosos desempenharem seus papéis como força de trabalho.
Este é o desafio para a sociedade atual: permitir que a diversidade do conhecimento seja, do aparato tecnológico, ou das redes de comunicação, divulgarem estas novas experiências de vida profissional para que possam adaptar-se às novas configurações de nossa população, na busca de soluções para os desafios de nosso país. Quando falamos em Terceira Idade no Brasil, devemos levar em conta as diversas disparidades sócioeconômicas existentes entre as regiões brasileiras que exigem políticas sociais voltadas para este setor para que sejam mais adequadas à realidade da população, ou mesmo de determinadas cidades.
Faz-se necessário no campo da Saúde Pública, que um novo olhar esteja voltado para esta temática, visto que exige a urgência de ações, não apenas curativas, mas principalmente preventivas, a fim de que o envelhecimento possa ser encarado, atrelando-o a uma boa qualidade de vida e todos os esforços para estas melhoras se tornem positivas. Com o envelhecimento da população trabalhadora e a importância da saúde para o trabalhador idoso, cresce a necessidade de investigar as desigualdades que se apresentam em suas funções orgânicas em relação à sua saúde durante sua vida juvenil no mercado do trabalho, e às vezes agravando ainda mais a observação da escolaridade precária em muitos destes trabalhadores idosos.
Participação das mulheres idosas no mercado de trabalho
Nas últimas décadas, o Brasil vem passando por intensas transformações econômicas, demográficas e culturais. Um aspecto importante dessas transformações é a crescente participação feminina no mercado de trabalho, especialmente a partir da década de 1970. Naquela época, apenas 18,2% das mulheres faziam parte da população economicamente ativa, em 30 anos esse percentual passou para 35% (IBGE 2000). O contínuo crescimento da atividade produtiva feminina deve-se a uma combinação de fatores.
O aumento da escolaridade feminina e queda da taxa de fecundidade são aspectos que têm possibilitado uma redefinição do papel das mulheres em todas as classes sociais. A reestruturação econômica com a redução de postos de trabalho em ocupações tipicamente masculinas, o crescimento do desemprego, especialmente entre os jovens, a contínua terceirização da economia e a deteriorização da renda familiar, favoreceram a participação feminina no trabalho remunerado.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada aponta que as taxas de atividade das mulheres em idades intermediárias e mais elevadas são crescentes enquanto as das mais jovens são estáveis, observando-se um progressivo amadurecimento da mão de obra feminina ocupada. O envelhecimento da população é um fenômeno mundial, que nos anos mais recentes, ganha maior importância nos países em desenvolvimento. Uma das características desse fenômeno é o predomínio da população feminina entre os idosos, que se deve à maior longevidade das mulheres. As incidências de crescimento e de mudança no padrão etário das mulheres que participam do trabalho, juntamente com o maior número de mulheres entre os idosos, concorrem para o envelhecimento da população economicamente ativa, ou seja, daquelas que estão trabalhando ou estão disponíveis para o trabalho.
Segundo pesquisa realizada em 1997, pelo Mestrado de Marilda Maria da Silva (Fundação Oswaldo Cruz), a grande maioria das idosas ocupadas (81,2%) estavam inseridas no trabalho informal, vale dizer sem carteira assinada e sem contribuição previdenciária, 32,4% tinham uma jornada inferior a 20 horas por semana e 35,3% de 40 horas ou mais, 40% trabalhavam por conta própria, outras realizavam trabalhos não-remunerados ou se desempenhavam como domésticas. A maior atividade realizada pelas idosas foi de prestação de serviços sociais e comunitários de saúde, comercio de mercadoria, agricultura e outros. A renda pessoal mensal foi uma media de R$ 330, 00, enquanto das aposentadas foi de R$ 160,00. Mulheres que tinham entre 65 e 69 anos, com 11 ou mais anos de estudo tinham renda per capita maior ou igual a R$ 680,00.
As doenças crônicas mais prevalentes entre as idosas foram hipertensão arterial, artrite, reumatismo e doença do coração, havendo menor prevalência das doenças crônicas investigadas entre as mulheres que trabalhavam. Privilegiar a fala das pessoas da Terceira Idade significa reconhecer que estamos falando de um grupo de indivíduos ainda muito marginalizados pela sociedade, mas que possuem também uma vasta experiência de vida, que foi centrada no trabalho, e que deve ser estudada e valorizada.
Já a relação que o trabalho estabelece com a categoria “qualidade de vida” é bastante complexa, pois do mesmo tempo que o trabalho pode ser agravante do estado de saúde das pessoas e fonte de desprazer, pode também gerar satisfação e bem estar. Sendo assim, o trabalho tanto pode influir de forma positiva quanto negativa, para o aumento ou diminuição da qualidade de vida. O ser humano pertence cada vez mais ao passado e menos ao futuro. Seu futuro é um retorno ao passado. O passado é o que os homens viveram, o futuro é a maneira como imaginam que viverão, eles e seus descendentes, e o presente é a maneira como os homens adaptam o que estão vivendo ao que eles viveram e ao que pensam que deverão viver. O tempo da memória não é o tempo da morte. É o das formas e dos auges mais ricos da vida. É a salvaguarda deste tempo que pode permitir a sucessão de homens e de gerações, participar de modo útil do vir a ser humano. Os velhos devem sentir responsáveis pela memória do futuro.
Aposentadoria: considerações e visões negativas
Não se pode falar em Terceira Idade sem uma abordagem sobre o tema da Aposentadoria. Numa sociedade em que o ser humano está intimamente identificado em constituir uma família, de produzir e ganhar uma remuneração suficiente para cobrir as necessidades da casa, do cônjuge e da família toda, a palavra “Aposentadoria” se apresenta ameaçadora, carregada de imensas dificuldades e conseqüências às vezes imprevisíveis e até desastrosas. Isto foi acontecendo na sociedade porque o ser humano, riquíssimo em suas possibilidades e potencialidades foi reduzido a um “papel restrito”, porque não lhe foi dada à oportunidade desenvolver a consciência de sua criatividade, de sua divindade, e da importância de sua atuação no contexto da vida.
Não existe preparação para essas aposentadorias em nossas sociedades. De repente aos trinta e trinta e cinco anos de rotina diária de um trabalho nem sempre gratificante e humano, se induz a interrupção e perda do trabalho, e a pessoa se sente perdida, sem função na vida e aos poucos perde a identificação com o trabalho. E então poderão surgir crises de depressão e sentimentos de inutilidade, baixa na auto-estima, o que poderá resultar em doenças e até mesmo na morte. É preciso, pois, estar muito atento a esta identificação com o trabalho remunerado e aos cuidados com a família, estatística já demonstrou que um número considerável de aposentados morrem antes de completar dois anos de aposentadoria.
Um agravante em relação à aposentadoria é que ela se dá numa fase da vida em que o envelhecimento já se faz presente e infelizmente, em nossa sociedade a chamada Terceira Idade no mercado de trabalho não tem opções definidas e tampouco no social. A pessoa é reduzida a uma máquina competitiva e consumista, muito mais preocupada com o ter do que com o ser. Assim, experiência e sabedoria parecem não significar muito. Outro fator que reforça a visão negativa da aposentadoria é o uso da palavra “inativo” para designar as pessoas do trabalho remunerado. Essa palavra é estigmatizante e inadequada, porque contraria as leis da própria natureza, ora, a vida é um processo dinâmico a um vir a ser constante, em movimento de transformação e transmutação. Se assim é, ninguém pode estar indefinidamente inativo sem que isto lhe traga conseqüências desagradáveis e sérias: “Água estagnada apodrece”, como diz o refrão. Então não deixemos apodrecer a água da vida.
A sociedade, da forma como está organizada, parece não apreciar ao ser humano como individual. A criação de uma família e o trabalho produtivo ocuparam todo nosso tempo. Assim na maioria dos casos, a nossa realidade interior permaneceu intocada. Não nos foram dados quase nenhum tempo, nenhum espaço para descobertas maiores para que pudéssemos tornar as nossas vidas mais ricas, mais plenas, mais completas. Em um grande número de pessoas, os desejos mais íntimos, as aspirações mais verdadeiras, a vocação maior ficaram soterradas, constituindo a causa de muita insatisfação e frustração.
Contudo, se a realidade em que vivemos muda-se a favor, a aposentadoria poderá representar uma saída e também uma porta de entrada para um mundo mais verdadeiro, onde, em vez de ficarmos nos lamentando e vivendo de lembranças do passado, estaremos de mente e coração abertos para toda a riqueza que a vida nos oferece, dando assim vazão as nossas reais potencialidades, completando-nos como seres humanos, vivendo inteiramente e preocupando-nos com o nosso crescimento interior. Foi para isso que viemos a Terra, nosso lar, não somente para trabalhar e criar uma família. O sentido da vida é bem mais abrangente e muito pessoal. Como já disse alguém, se ainda estamos vivos é porque temos muito, o que buscar e o que fazer. Há uma infinidade de seres e situações de vida a espera de nossa atuação, de nossa ajuda, no compartilhar amoroso de nossas mentes e corações.
Por último um belo pensamento de Olavo Bilac:

“Envelheçamos rindo!”.


“Envelheçamos como as árvores fortes envelhecem”

Aposentadoria frustrante
Se na teoria chegar à aposentadoria é algo que, em geral, parece desejável, na prática pode ser frustrante. Com o envelhecimento da população mundial, sair do mercado aos 60 anos se tornou prematuro. É uma mudança que inclui redução da renda e sensação de ociosidade e de perda de importância social, o que abala profundamente a auto-estima.Aposentar-se com um padrão de vida próximo ao dos tempos da ativa é um sonho cada vez mais distante para trabalhadores do mundo inteiro.
Afirma o geriatra João Toniolo Neto, de São Paulo, que os sintomas da síndrome da pós-aposentadoria devem ser levados a sério. Muitas vezes, são confundidos erroneamente com enfermidades relacionadas à velhice, mas uma avaliação atenta pode diagnosticar o estado depressivo. Falta de memória, de concentração, fraqueza, cansaço e distúrbio de sono podem estar ligados à aposentadoria precoce. Aconselha o referido geriatra, sempre cultivar interesses fora do trabalho e, sobretudo não esperar se aposentar para ver o que fazer.
Considera-se que a vida das pessoas é demarcada por três etapas significativas: Pré-Laboral / Laboral / Pós Laboral. A ruptura com o trabalho formal “fabrica um tipo de velhice social”, mesmo que o processo de envelhecimento não tenha comprometido física ou psicologicamente o indivíduo. Freqüentemente as pessoas que se aposentaram, precisam continuar trabalhando para não sofrer com a diminuição da renda. Além de não estarem aproveitando seus direitos, esses “aposentados” continuam ocupando postos de trabalho e tiram a oportunidade dos mais jovens. Com a crise no mundo todo, a previdência privada que muitos consideram a solução para o problema, os aposentados, além de receberem pensão justa pelos anos trabalhados, terá condições financeiras para manter seu padrão de vida e através da compra de produtos gerar empregos. A maior parte dos trabalhadores aposentados afirma que o dinheiro que recebem da previdência social “não dá para viver”. Mesmo assim, o sistema previdenciário oficial está perigosamente deficitário.
Servidores Públicos
As pensões e aposentadorias do setor público são bastante altas e responsáveis pela maior parte do problema. A diferença entre o que o setor público arrecada e gasta com pagamentos de 2.500.000 de aposentadorias ou pensões chegou a quase R$ 54 bilhões e 500 milhões de reais. Já com os outros 21 milhões de trabalhadores privados, a diferença entre gastos e receita é muito menor: R$ 17 bilhões. Entre os trabalhadores comuns, a média não chega a dois salários mínimos. Já entre os funcionários públicos a média chega a R$ 7.308,00 no poder judiciário R$ 11.862,00 vale dizer do Ministério Público Federal. Ainda que os últimos governos venham buscando o equilíbrio nas contas da Previdência Social, os fundos de previdência privada continuam sendo a opção mais recomendada por especialistas para garantir a manutenção do padrão de vida pós-aposentadoria.
Aumento da Expectativa da Vida
A principal razão de déficit é que o ser humano está vivendo mais. Com o número de aposentados aumentando, fica cada vez mais difícil para os sistemas previdenciários dos países pagarem os benefícios. Em 1950 havia no Brasil 80 contribuições para cada 10 aposentados. Hoje estatísticas de 2003, são apenas 12 trabalhadores para cada 10 inativos, fazendo com que a previdência gaste quase o dobro do que arrecada. A previsão do déficit em 2003 foi de mais ou menos 76 bilhões de reais. A história de vida do sujeito é um fator de suma importância na sua aposentadoria. Para aqueles que fazem do trabalho a maior fonte de comunicação e referência de suas vidas, o desengajamento poderá vir a ser uma situação crucial. O não fazer incomoda assim como o confronto direto com o “ser”, o que suscita uma crise de identidade.
Conceito de aposentadoria
Cessação da responsabilidade relacionadas ao mundo do trabalho e da produção, com a autorização da sociedade e seu respectivo reconhecimento, expresso através de pensões.
- Direito à aposentadoria

- Fato social do século XX


- Aposentadoria: prêmio ou castigo???

Como aproveitar o tempo após a aposentadoria
Participação do Idoso no Trabalho Voluntário. Fortalecido pela Lei 9608 de 18 de fevereiro de 1998. Voluntariado é um hábito do coração e interação com outras faixas etárias. É algo que vem de dentro de cada um e que faz bem aos outros e a sociedade. Voluntariado é a escolha, é uma experiência de participação e generosidade das pessoas, em especial da Terceira Idade, que com seu imenso potencial de transformação pode e deve ser mobilizado. Todas as pessoas têm capacidade, habilidade e dons para doar em um espaço de seu tempo. Em troca ganha contato humano, convivência com pessoas diferentes, oportunidade de aprender coisas novas e a grande satisfação de ser útil. Diversifica seu campo de atuação, para além do simples assistencialismo, em áreas como saúde, educação, cultura, meio ambiente e cidadania.
A adesão do idoso ao trabalho voluntário se associa tanto a motivações objetivas, como à valorização do tempo livre, atende a sentimentos religiosos e a razões existenciais, como a necessidade de sentir-se útil. A isto se agregam ganhos pessoais relacionados com a própria dinâmica de trabalho, conhecimento de pessoas, cultivo de novas amizades, etc. São percebidas ainda melhorias subjetivas, como afirmação pessoal, que se refletem numa postura mais otimista diante da vida, na melhoria da auto-estima e da autopercepção de um ser humano digno.
Segundo pesquisa apontada pelo IBGE em 2000, mais de três quartos dos entrevistados (85%) eram mulheres e 15% de homens, nas faixas a partir dos 60 anos até 80 anos ou mais com estado civil de solteiros, casados, noivos, desquitados, separados ou divorciados, aposentados e pensionistas. A escolaridade, 65% não foi além do nível ginasial, sendo desta porcentagem mais ou menos 42% do nível primário, nível superior completo ou incompleto em 18,9%. A media dos entrevistados 61,7 têm rendimentos até cinco salários mínimos, 27,1% até dois salários mínimos e 11,5 não tem rendimentos próprios. Deste percentual 29% moram sozinhos, os restos mora com o cônjuge, filhos, parentes ou outras pessoas.
Áreas de Trabalho Voluntário
É significativo o leque de opções nas áreas da saúde, educação, cultura, meio ambiente, cidadania, melhoria da sua própria comunidade, ajuda a conscientizar pessoas sobre seus direitos e deveres, contribuição para aumentar a doação de recursos para a comunidade, compromissos religiosos, organização de trabalhos comunitários, colaboração em campanhas e mutirões, eventos sociais, atenção ao público em estabelecimentos hospitalares, etc. Praticamente não existe comentário negativo quanto ao trabalho Voluntário. O SESC de São Paulo, através de suas 28 unidades espalhadas pela Capital e Interior do Estado, dentro de seus múltiplos serviços à comunidade tem entre seus programas o trabalho social com Idosos, entre eles o Voluntariado. Não esqueça, ajudando às pessoas mais carentes, somos úteis para a sociedade, nos faz feliz e nos faz bem para a cabeça e o coração.


Não a aposentadoria da vida

Despojado no seu papel no serviço e sem “liberdade” em casa, a situação para muitos aposentados é, no mínimo, desconcertante. O homem ao não ter mais o que fazer, tenta ou até assume tarefas que eram de sua mulher, como compras de feira, supermercados, etc. e, ainda as determinações do dia a dia caseiro. Neste caso, os conflitos costumam vir à tona, assim como, acentuam-se alguns problemas com os filhos. Existem casos como o daqueles que não voltaram a trabalhar fora e cujo desligamento profissional acontece sem grandes mudanças em relação à receptividade dos familiares. Mesmo esses podem vir a recolher-se num mundo só seu, ficando horas sem nada fazer e sem participar dos acontecimentos à sua volta. Outro item de uma importância na vida do aposentado é o domínio do Estado quanto ao recebimento da aposentadoria e o nível de benefícios aderido dela. Ainda são poucos os que recebem integralmente o que recebiam ao deixar a vida profissional. A grande maioria de baixa e média renda depende do quanto o Estado lhe paga para sobreviver e sustentar seus dependentes.
Em geral, a aposentadoria promove uma certa ambigüidade que o sujeito que a vivencia tem que enfrentar, a de considerá-la como um tempo de libertação ou, ao contrário, um tempo de marginalização e desvalorização com as conveniências sociais. Sua imagem começa a ter a imagem da velhice. Se antes os homens trabalhavam fora por uma questão de dever e de obrigação, já que cabia exclusivamente a eles o sustento da família, além de representar uma fonte de recursos, maioria das mulheres encara a vida profissional de maneira semelhante. Portanto, a aposentadoria passou a ter significações parecidas para ambos os sexos. As mulheres, mais que os homens, se sentem mais bem adaptadas à vida familiar e social após a aposentadoria.


Mudaram os valores ou mudaram as mulheres?

Acreditamos que as mulheres é que tenham mudado alguns dos seus valores e elas se preparam para isso. Um dos indícios é o grau de escolaridade que apresentou maior do que o dos homens, tanto no segundo grau como no curso superior. Outro indicador visível é a presença de mulheres em outros setores profissionais, tidos como “reduto masculino”. No passado uma mulher que trabalhava fora era “diferenciada” e mais ainda se sua profissão não fosse enquadrada entre as consideradas femininas. Hoje elas representam a metade da força de trabalho, desempenhando suas tarefas da mesma forma que os homens, nas mais diversas profissões. Os dados revelam que a maioria dos que voltaram a trabalhar eram homens. Se as portas do mercado de trabalho estão abertas para as mulheres jovens o mesmo não acontece para a mulher madura. Ela encontra muita dificuldade de se engajar novamente. Outro fato que vem confirmar essa realidade é o de freqüentemente se sentirem improdutivas. De alguma forma, os trabalhos domésticos, já não são mais os seus maiores referenciais, principalmente quando o retorno ao lar possa significar um “ninho vazio, sem pessoas que dependam dela”.
O que fazer diante de tudo isso?
Urge, portanto, providências na Previdência e na sociedade... O aumento da população idosa no Brasil, e conseqüentemente do contingente de aposentados, faz com que passe a ser necessária uma revisão geral não só dos conceitos, como também de uma política mais eficaz voltada para eles.

A expectativa de vida está aumentando de forma considerável, nosso país não pode mais ser rotulado como um país de jovens, por isso há urgência na tomada de posições e que as vozes sejam ouvidas não apenas para sobreviver, mas como uma mediação perpétua entre a esperança dos homens e mulheres, e sua condição temporal.

E eles têm esperança!
Aprender a envelhecer é uma prioridade. É comum na maturidade, o interesse pelo estudo da filosofia, artes, literatura, religião, enfim, com todo o que tem ligação com algo transcendente, superior ao próprio homem. Cada objeto, cada ser da natureza, passa a ter um significado especial e diferente. O encanto dos pequenos gestos, das pequenas coisas, a música, nos volta a iluminar a vida e o encanto nos conduz a alegria de viver. O encontro conosco mesmos e a reflexão sobre as experiências anteriores, os erros e acertos nos permitem alcançar a sabedoria da vida, que se manifesta pela habilidade em solucionar problemas pessoais e desempenhar o papel de ponte entre as gerações carentes, os dependentes, física ou emocionalmente.
Para viver plenamente a fase da Terceira Idade é essencial retornar o encantamento dos anos de infância e da juventude procurando dentro de nos mesmos o ressurgimento da vida.Por exemplo: criando nosso cantinho de estar, aceitando novos desafios, retomando atividades gratas, freqüentando museus e galeria de arte, desenvolvendo o lado espiritual, modernizando-nos com a nova tecnologia, aceitando o que a vida nos dá no dia a dia, revivendo a criança que existe em nós dedicando alguns momentos a uma oração sincera de agradecimento pela vida “que nos há dado tanto”. Aprendamos sempre e dar valor às pequenas coisas, como costumava dizer Gaudhi, o grau líder da Índia. ”As pequenas coisas são como as flores do campo: uma sozinha não tem perfume, mas todas reunidas formam um magnífico buquê perfumado”.

Fonte: Universidade Aberta à Terceira Idade- Unifesp – Seminário de Alunos

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